Garantir o respeito aos direitos fundamentais e evitar falhas operacionais durante o trabalho nas ruas motivou a Guarda Civil Municipal (GCM) de Salvador a iniciar, nesta quarta-feira (12), uma capacitação em Libras (Língua Brasileira de Sinais) voltada para o seu efetivo. O projeto pedagógico foi desenhado para equipar os servidores com ferramentas de comunicação direcionadas à população surda, impulsionando a segurança pública inclusiva na capital baiana.
- Trinta agentes da Guarda Civil Municipal participam da formação em Libras em Salvador.
- O treinamento aborda direitos da comunidade surda e prevenção de mal-entendidos em abordagens operacionais.
- A carga horária total é de 30 horas, distribuídas em dez encontros semanais até outubro.
As aulas ocorrem todas às quartas-feiras, das 8h30 às 11h30, na base do órgão localizada na Avenida San Martin. O encerramento está programado para o dia 14 de outubro. Com trinta vagas disponíveis, o curso totaliza uma carga horária de 30 horas divididas em dez encontros presenciais.
Formação continuada e direitos da comunidade surda
O aprendizado da Língua Brasileira de Sinais — reconhecida legalmente no Brasil pela Lei nº 10.436/2002 como meio legal de comunicação e expressão — não representa um esforço isolado. A iniciativa faz parte de uma agenda permanente do Centro de Formação da corporação, que busca inserir habilidades comunicativas e pautas de diversidade ao lado dos treinamentos táticos tradicionais.
A gerente de Desenvolvimento Humano da GCM, Laís Cunha, destacou o ganho operacional e humanitário da iniciativa. “A Guarda Civil Municipal tem entendido cada vez mais a importância de ofertar uma segurança pública mais inclusiva, porque assim conseguimos oferecer um serviço mais eficiente e de mais qualidade. Estamos trabalhando nessa perspectiva de melhor servir e atender a todos os públicos, os mais diversificados possíveis”, pontuou, relembrando que a instituição já promoveu debates sobre combate à violência contra a mulher e o público LGBTQIAPN+.
Sob a ótica pedagógica, a instrução serve como barreira contra o preconceito sistêmico. Para a professora e intérprete de Libras do Centro de Acessibilidade Comunicacional de Salvador (CACS), Rebeka Matos, o contato direto com a língua oficial de sinais desconstrói barreiras. “A ideia de levar Libras para a Guarda tem como finalidade quebrar o preconceito e ampliar o conhecimento sobre a comunidade surda. Quanto mais informação e conhecimento as pessoas têm, mais conseguimos diminuir a estigmatização e garantir acesso à informação”, afirmou.
O impacto na segurança e nas abordagens cotidianas
Especialistas em políticas públicas reforçam que a barreira linguística pode gerar situações de vulnerabilidade extrema para cidadãos surdos em espaços públicos. A diretora de Políticas Públicas para Pessoa com Deficiência (DPCD) da Secretaria Municipal de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (Sempre), Daiane Pina, detalhou o risco prático durante o trabalho policial ou ostensivo.
“É importante para que os surdos tenham seus direitos respeitados, inclusive em questão de segurança. Durante uma abordagem, até o guarda entender que aquela pessoa não respondeu ao comando porque é surda, ela pode ter uma abordagem que não seja específica para a sua necessidade”, ponderou.
O chefe do Centro de Formação da Guarda Municipal, Elinaldo Marins, reforçou a necessidade de adaptação institucional a novos perfis sociais. “A gente entende cada vez mais que precisa atender públicos diferenciados, públicos com os quais não estamos acostumados a lidar no nosso dia a dia, trazendo essa perspectiva de inclusão”, concluiu.
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Perguntas Frequentes
Qual é o objetivo do curso de Libras promovido pela GCM de Salvador?
A capacitação busca preparar os agentes da Guarda Civil Municipal para realizar um atendimento mais inclusivo, acessível e humanizado à população surda, evitando falhas em abordagens e garantindo direitos.
Quantas vagas e qual a carga horária da formação?
O curso oferece 30 vagas para os agentes da corporação, com carga horária total de 30 horas divididas em dez encontros semanais.
Até quando acontecem as aulas e onde são realizadas?
As aulas ocorrem todas às quartas-feiras, das 8h30 às 11h30, na base da Guarda Civil Municipal situada na Avenida San Martin, com término previsto para 14 de outubro.
