Entre agosto de 2024 e julho de 2025, o estado do Pará contabilizou 60.664 hectares de áreas afetadas pela exploração madeireira, o maior volume verificado para o período desde o ciclo compreendido entre 2019 e 2020.
Resumo rápido:
- Pará atinge 60.664 hectares de área de exploração madeireira no ciclo atual.
- O resultado representa um aumento superior a 40% em relação ao ciclo anterior.
- Os dados foram divulgados em 4 de novembro de 2026 pela Rede Simex.
Crescimento na extração de madeira no estado
A área mapeada de 60.664 hectares representa um acréscimo superior a 40% no comparativo com o intervalo de agosto de 2023 a julho de 2024. As informações foram tornadas públicas em 4 de novembro de 2026 pelo Sistema de Monitoramento da Exploração Madeireira (Simex), iniciativa desenvolvida em conjunto por três organizações voltadas à pesquisa ambiental: o Imazon, o Instituto Centro de Vida (ICV) e o Imaflora.
Para chegar a esses resultados, técnicos e pesquisadores cruzaram o mapeamento de áreas de extração obtido por meio de imagens orbitais com os registros de autorizações emitidas pelos órgãos competentes para a prática da atividade. Do montante total identificado no período, 41.538 hectares — o equivalente a 68% — ocorreram em locais devidamente autorizados. Por outro lado, 19.126 hectares, correspondentes a 32%, foram classificados como exploração realizada sem a devida permissão legal.
Análise sobre a dinâmica da atividade ilegal
Enquanto o volume mapeado sob autorização apresentou expansão superior a 83% frente ao ciclo precedente, a extração executada sem amparo legal registrou queda de aproximadamente 6%. A pesquisadora do Imazon, Camila Damasceno, apontou o recuo na extração irregular como um dado favorável, mas ponderou sobre a extensão ainda expressiva do problema.
“Os números mostram que há muito a avançar. Precisamos fortalecer a fiscalização, ampliar as ações de combate e responsabilização dos infratores e criar mecanismos de incentivo ao manejo florestal, principalmente o comunitário”
afirmou a pesquisadora, em nota
Na mesma linha, o coordenador do programa de monitoramento da Amazônia do Imazon, Carlos Souza Jr., destacou que a comemoração isolada da queda percentual na área irregular desconsidera o prejuízo real causado à cobertura vegetal.
“Considerando um cenário conservador de extração de duas a três árvores por hectare, foram derrubadas e inseridas no fluxo comercial entre 38 mil e 57 mil árvores, sem plano de manejo, vistoria ou rastreabilidade de sua procedência”
explicou Carlos
O especialista pontuou ainda que a entrada desse volume de material no mercado sem garantia de procedência gera impactos negativos para o setor regulado, enfraquecendo iniciativas de transparência e os investimentos corporativos legais.
Situação das terras indígenas e o caso da TI Amanayé
O levantamento do Simex apontou que as terras indígenas paraenses concentraram apenas 2% de toda a atividade sem autorização identificada, totalizando 424 hectares entre agosto de 2024 e julho de 2025. Analistas ambientais avaliaram o patamar como o segundo menor da série histórica, ficando atrás apenas do ciclo de 2019 a julho de 2020, quando o registro foi de 158 hectares.
Apesar da baixa proporção geral, a totalidade da ilegalidade mapeada nesses territórios concentrou-se em um único ponto: a Terra Indígena Amanayé. Segundo o monitoramento, esta é a quinta vez consecutiva que a localidade integra os boletins da Rede Simex.
“A redução da extensão afetada não significa que o problema esteja resolvido. A ocorrência de exploração ilegal em uma área protegida é extremamente sensível e exige atenção urgente”
alertou Camila Damasceno
A pesquisadora destacou que, além dos danos ambientais, as invasões reiteradas expõem os moradores locais a conflitos e restrições de circulação, com reflexos diretos sobre os modos de vida tradicionais.
Perguntas Frequentes
O que é a Rede Simex e quais organizações a compõem?
A Rede Simex é formada pelo Imazon, pelo Instituto Centro de Vida (ICV) e pelo Imaflora, instituições que utilizam imagens de satélite e cruzamento de dados oficiais para monitorar a exploração madeireira.
Qual foi a proporção de extração autorizada e ilegal no último período?
Do total de 60.664 hectares mapeados, 41.538 hectares (68%) ocorreram em áreas com autorização, enquanto 19.126 hectares (32%) foram mapeados como extração sem permissão legal.
