A criatividade de jovens pesquisadores da rede estadual ganhou destaque no município de Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador, onde dezenas de trabalhos voltados para problemas cotidianos foram exibidos ao público. O encontro acadêmico reuniu a comunidade escolar para debater novas ferramentas tecnológicas, ambientais e sociais desenvolvidas por estudantes do ensino técnico, evidenciando o potencial da pesquisa aplicada nas salas de aula baianas.
Resumo rápido:
- Alunos do CEEPTIC exibiram inovações científicas durante a 9ª FACEMTIC em Lauro de Freitas.
- A iniciativa fomenta a pesquisa estudantil com foco em soluções socioambientais e tecnológicas.
- O evento integra políticas estaduais de incentivo à ciência e à melhoria da infraestrutura escolar.
Inovações tecnológicas criadas em sala de aula
A criação de soluções práticas para demandas reais da sociedade marcou a programação da 9ª Feira de Ciências, Empreendedorismo Social, Tecnologia e Inovação (FACEMTIC), realizada no Centro Estadual de Educação Profissional em Tecnologia, Informação e Comunicação (CEEPTIC). Com o tema “Conectando conhecimento, educação e justiça: ciência, tecnologia e inovação”, o evento mobilizou cerca de mil estudantes em torno de pesquisas que unem o aprendizado técnico a questões prementes da atualidade.
Caminhos para a sustentabilidade e a segurança pessoal
Entre as iniciativas apresentadas no ambiente escolar, o desenvolvimento de um biodiesel à base de óleo de dendê chamou a atenção pela busca de matrizes energéticas limpas. A estudante Rafaela Saraiva, 17 anos, cursando o técnico em Administração, detalhou a proposta: “A gente trouxe uma alternativa de um combustível biodegradável e sustentável, sem o uso de fontes como o petróleo, que poluem tanto o nosso ambiente. É un produto que, realmente, vai ajudar muito na sustentabilidade do nosso planeta.”
No campo da saúde e da assistência, o projeto “Vertisense” apostou em dispositivos acessíveis. Christian Scher, 17 anos, estudante do curso técnico em Informática, desenvolveu com colegas uma pulseira inteligente voltada para o monitoramento de pessoas com tontura e perda de equilíbrio. “O objetivo é trazer mais segurança para pessoas nessas condições ou para seus parentes, que podem ter um alerta e mais confiança para deixá-las sair na rua. A pulseira monitora os movimentos, identifica alterações e emite alertas por vibração ou LED”, explicou.
Outra tecnologia voltada para a integridade física foi o “Calisto: colar inteligente de proteção”, pensado pela equipe da aluna Anna Bella Campos, 15 anos, do curso técnico em Logística. Trata-se de um acessório discreto para mulheres em situação de risco. “Caso a mulher se sinta ameaçada, ela pode apenas dar um clique no colar com rastreador, que enviará a localização dela e uma mensagem para contatos pré-selecionados. Assim, ela não precisa pegar o celular, caso precise ser discreta”, destacou.
O papel da infraestrutura e dos programas estruturantes na rede pública
O incentivo à iniciação científica nas escolas públicas da Bahia costuma estar atrelado a investimentos contínuos em laboratórios bem equipados e à criação de eventos de circulação de conhecimento, como os seminários territoriais e a FECIBA (Feira de Ciências, Empreendedorismo Social e Inovação da Bahia). Na avaliação da gestão estadual, esses mecanismos funcionam como pilares para fixar o estudante no centro do processo de aprendizagem, conectando o currículo escolar às potencialidades e aos desafios de cada território.
Ao participar das atividades no CEEPTIC, o secretário da Educação do Estado, Marcius Gomes, pontuou o impacto desse engajamento formativo. “As feiras científicas evidenciam o protagonismo dos nossos estudantes na iniciação científica, que desenvolvem projetos com o olhar para as suas comunidades e seus territórios, sob a orientação dos professores e coordenadores pedagógicos. Esse movimento se fortalece por meio de diversos programas e projetos estratégicos, como a FECIBA (Feira de Ciências, Empreendedorismo Social e Inovação da Bahia), os seminários territoriais, e dos grandes investimentos realizados pelo governo estadual em infraestrutura, que contemplam laboratórios equipados e de diferentes áreas do conhecimento”, afirmou.
| Projeto Científico | Estudante Responsável | Curso Técnico | Proposta Principal |
|---|---|---|---|
| Biodiesel de dendê | Rafaela Saraiva (17 anos) | Administração | Combustível alternativo, biodegradável e sustentável sem petróleo |
| Pulseira Vertisense | Christian Scher (17 anos) | Informática | Monitoramento de movimentos e alertas para pessoas com tontura |
| Colar Calisto | Anna Bella Campos (15 anos) | Logística | Dispositivo discreto de segurança pessoal com rastreamento |
Perspectivas para a pesquisa e o ecossistema de inovação
O avanço de feiras de ciências em unidades de ensino profissionalizante sugere uma mudança gradual na forma como o conhecimento técnico é absorvido, permitindo que alunos testem teorias antes mesmo de concluírem a educação básica. Embora o desdobramento comercial dessas tecnologias dependa de etapas adicionais de fomento e parcerias com o setor produtivo, o ambiente escolar cumpre o papel fundamental de semear a cultura da investigação científica e do empreendedorismo social. O que resta acompanhar nos próximos anos é a ampliação de editais de apoio financeiro que consigam transformar protótipos escolares em soluções de larga escala para a população.
Perguntas Frequentes
Onde ocorreu a 9ª FACEMTIC?
O evento foi realizado no Centro Estadual de Educação Profissional em Tecnologia, Informação e Comunicação (CEEPTIC), situado no município de Lauro de Freitas.
Qual era o tema principal da feira escolar?
A edição adotou o tema “Conectando conhecimento, educação e justiça: ciência, tecnologia e inovação”, valorizando o protagonismo dos estudantes na busca por soluções sociais e ambientais.
Quais projetos de destaque foram apresentados pelos alunos?
Entre os trabalhos citados estão um biodiesel feito com óleo de dendê, uma pulseira inteligente para monitoramento de equilíbrio chamada “Vertisense” e um colar discreto de proteção pessoal denominado “Calisto”.
