Moradores que tentaram participar do pleito em Salvador enfrentaram dificuldades com a mobilidade urbana e o funcionamento de locais de votação durante o segundo turno. Relatos apontam bloqueio de veículos do transporte coletivo e seções eleitorais encerradas antes do prazo estipulado pela Justiça.
Resumo rápido:
- Frota de ônibus sofreu bloqueios em garagens na capital baiana.
- Eleitores relataram escolas fechadas antes do horário estipulado.
- Tribunal determinou frota integral e prisão de secretário municipal.
Impacto na mobilidade e urnas fechadas na capital
A interrupção na circulação de coletivos e o fechamento antecipado de seções eleitorais geraram transtornos para quem tentava votar em Salvador. A professora Paula Fernanda Souza, 42 anos, conseguiu registrar seu voto com tranquilidade por volta das 13h, mas constatou problemas horas mais tarde ao presenciar eleitores chegando a locais de votação com portas trancadas.
“Crime eleitoral aqui no Colégio Aliomar Baleeiro. Encerraram as urnas às 17h sendo que a votação foi prorrogada em todo o Brasil. Foi definido que as urnas fossem fechadas às 19h. Isso está errado”
contou, quando estava em um dos locais de votação
Diante da demora no sistema de transporte, a moradora utilizou seu veículo particular para oferecer carona a pessoas que aguardavam em pontos de ônibus.
“Muita gente foi embora. As pessoas chegaram a ficar uma hora em pé esperando, do lado de fora das escolas, com os portões já fechados.”
Situação semelhante foi descrita pelo técnico químico Alfredo Santos Júnior, 44 anos. Segundo o relato, unidades de ensino que funcionavam como zonas eleitorais na cidade foram encerradas às 17h. “Não estão respeitando a decisão do STF”, declarou. O ele também apontou que, mesmo após ordens de circulação, diversos coletivos circulavam sem realizar paradas para embarque.
Medidas judiciais e posicionamento das autoridades
O Procon da Bahia registrou centenas de veículos imobilizados em garagens da capital após notificações sobre o impedimento da saída dos coletivos. A situação motivou reações imediatas de órgãos de segurança e da Justiça Eleitoral.
O presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), Maurício Kertzman Szporer, ordenou o restabelecimento imediato da frota em capacidade máxima, mantendo a gratuidade aos passageiros. Além disso, a Superintendência Regional da Polícia Federal recebeu determinação para efetuar a prisão do secretário municipal de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza.
O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, manifestou-se por meio de rede social informando que colocou a Polícia Militar e a Secretaria da Segurança Pública à disposição para fornecer motoristas habilitados na categoria D para conduzir os ônibus, se necessário.
Por sua vez, a administração municipal declarou ter orientado a liberação de todos os veículos retidos nas garagens, mesmo que estivessem com adesivagem considerada propaganda irregular, com o objetivo de facilitar o deslocamento dos eleitores. O prefeito Bruno Reis comentou as ocorrências:
“Antes de ter decisão [do Judiciário], de forma espontânea, por uma decisão da gestão [municipal], a gente já colocava transporte gratuito nas eleições. Aí, houve alguns problemas operacionais em garagens e também problemas de mobilizações políticas na hora de saída dos ônibus e atrasou um pouco.”
O prefeito acrescentou: “A frota está aí, à disposição, rodando”.
Perguntas Frequentes
Qual foi a determinação do STF sobre o horário de votação?
O Supremo Tribunal Federal determinou a ampliação do horário de votação até as 19h em todo o país.
O que ocorreu com o transporte público em Salvador?
O Procon contabilizou centenas de ônibus parados em garagens devido a bloqueios na saída dos veículos, gerando ordens judiciais para retomada integral da frota.
Qual foi a medida tomada pelo TRE-BA em relação ao secretário municipal?
O presidente do TRE-BA determinou à Polícia Federal a prisão do secretário municipal de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza.


