As mulheres seguem ocupando menos de um em cada cinco cargos de direção em longas-metragens e séries no Brasil, mesmo representando a maioria dos profissionais formados em cursos de comunicação e artes audiovisuais no país.
O descompasso entre a qualificação acadêmica e a inserção real no mercado de trabalho foi debatido durante o festival Bonito CineSur, onde produtoras e atrizes apontaram a necessidade urgente de ferramentas regulatórias para transformar o cenário cinematográfico sul-americano.
Resumo rápido:
- Mulheres respondem por apenas 17 por cento da direção de séries e filmes nacionais, segundo anuário da Ancine.
- Especialistas defendem metas obrigatórias e políticas públicas para alcançar equidade na próxima década.
- Atrizes e produtoras cobram narrativas mais complexas e maior união feminina no continente sul-americano.
Metas oficiais como ferramenta de transformação
A exigência de cotas e metas quantitativas surge como a única via capaz de romper barreiras históricas na indústria. Durante o evento em Mato Grosso do Sul, a produtora Minom Pinho pontuou que o avanço estrutural depende de diretrizes governamentais e institucionais bem definidas.
A criadora do Festival Internacional de Mulheres no Cinema ressaltou que a resistência do setor exige índices rígidos de cobrança.
“As grandes mudanças se fazem com política pública. E para você alcançar a política pública, você tem que ter indicador e indutor”, argumenta Minom Pinho. “Por exemplo, estipular que o número de mulheres em roteiro e direção em longas-metragens deve bater 30% até 2030.”
O abismo estatístico nas produções
Os números oficiais do Anuário Estatístico do Audiovisual Brasileiro de 2024, compilados pelo Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual da Ancine, escancaram a disparidade na distribuição de funções:
* Direção de filmes e séries: apenas 17 por cento comandados por mulheres.
* Roteiro em longas-metragens: 41 produções femininas contra 165 masculinas em 2023.
* Direção de arte: 99 projetos sob comando feminino frente a 57 masculinos.
* Produção-executiva: 110 mulheres e 66 homens à frente dos projetos.
Para a cineasta, a concentração de mulheres em funções como figurino e direção de arte reflete estereótipos enraizados na sociedade, e não falta de capacidade técnica.
“Ninguém pode alegar que as mulheres não têm competência. Elas estão fazendo um milagre. Foi dado a elas 20% de cargos de liderança nos filmes, mas elas estão pegando 44% do mercado”, reforça.
Narrativas plurais e o papel das redes sul-americanas
A urgência por diversidade também alcança os roteiros e as opções de enredo exibidas nas telas. A atriz chilena Paulina Garcia enfatizou que a representatividade precisa transbordar os clichês dramáticos tradicionais impostos aos corpos femininos no cinema.
“Para as mulheres, existem mais coisas do que desempenhar papéis de pessoas doentes ou que morrem a certa idade”, pontua a atriz. “Precisamos contar com histórias mais complexas sobre quem somos ou sobre o que queremos fazer.”
O fortalecimento coletivo entre realizadoras da América do Sul apareceu como estratégia central para ocupar espaços de decisão. A diretora Gabriela Sandoval reforçou que a união transnacional desconstrói a visão pejorativa associada ao poder feminino.
“Quando se fala em mulheres em espaços de poder, sempre se vê como algo negativo. Mas o espaço de decisão é uma responsabilidade e abre caminhos para que se contem outras histórias”, avalia.
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Perguntas Frequentes
Qual é a porcentagem de mulheres na direção de filmes brasileiros?
As mulheres representam apenas 17 por cento da direção de séries e filmes brasileiros, conforme dados do anuário da Ancine.
O que apontam os dados sobre roteiros no cinema nacional?
Em 2023, os homens assinaram o roteiro de 165 longas-metragens, enquanto as mulheres lideraram a escrita em apenas 41 produções.
Quais funções concentram maior presença feminina no audiovisual?
As mulheres são maioria em setores como direção de arte, com 99 produções contra 57 masculinas, e na produção-executiva, com 110 atuações femininas frente a 66 masculinas.
