Pular para o conteúdo
Brasil & Mundo

Projeto indígena de São Gabriel da Cachoeira ganha menção honrosa em Brasília

São Gabriel, Bahia
Por | Publicado em
Prêmio Antes que Aconteça
Valter Campanato/Agência Brasil
📖 Leitura: 5 Min

Trabalhar para que mulheres indígenas na comunidade de Cartucho, localizada a quatro dias de barco de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, reconheçam os diferentes tipos de violência tornou-se o objetivo da coordenadora Cleocimara Reis Gomes, de 38 anos. Na noite de quarta-feira (4), em Brasília (DF), a iniciativa liderada por ela recebeu menção honrosa no âmbito do Programa “Antes que Aconteça”.

Resumo rápido:

  • Projeto indígena do Amazonas recebe menção honrosa em programa federal em Brasília.
  • Premiação valoriza práticas de prevenção à violência de gênero com repasses de recursos.
  • Iniciativas de comunidades da Bahia e do Rio de Janeiro também foram reconhecidas.

Reconhecimento nacional a projetos de prevenção

A iniciativa coordenada por Cleocimara Reis Gomes, que atua junto a 23 povos em 100 comunidades nos municípios de São Gabriel da Cachoeira, Barcelos e Santa Isabel do Rio Negro, foi destacada na cerimônia do Programa “Antes que Aconteça”. Previsto pela Lei 15.398, publicada neste ano, o programa tem como foco valorizar ações voltadas à prevenção da violência de gênero em todo o país. O evento contou com a presença da ministra das Mulheres, Márcia Lopes, e contemplou práticas em oito categorias com financiamentos que variam de R$ 50 mil a R$ 200 mil.

Desafios na proteção de mulheres em áreas isoladas

A coordenadora do projeto Promotoras Legais Populares Indígenas do Rio Negro relata que os índices de violência na região são elevados, mas acabam invisibilizados pela distância dos grandes centros urbanos. A comunidade de Cartucho abriga 40 famílias. Segundo Cleocimara, o trabalho busca parcerias e recursos para sensibilizar as mulheres sobre a importância de conhecerem os próprios direitos.

“É importante que a mulher indígena saiba que não pode viver em cenário de violência”

afirmou Cleocimara Reis Gomes

O projeto busca difundir o entendimento de que a violência não integra a cultura indígena, abrangendo violações físicas, sexuais, psicológicas e patrimoniais, cometidas tanto por invasores das terras quanto por homens indígenas. Ela apontou que as denúncias enfrentam atrasos para chegar aos órgãos competentes devido à distância entre as comunidades e defendeu a ampliação de equipamentos públicos de prevenção, além de relatar pedidos de lideranças femininas para engajar homens como aliados na causa.

Iniciativas premiadas na Bahia e no Rio de Janeiro

O combate à violência de gênero também foi o eixo de projetos vencedores em outras regiões do país. Na categoria voltada à justiça e ao acolhimento de mulheres, a Associação de Pescadores e Marisqueiras de São Félix (BA), presidida pela marisqueira Cátia Chagas, de 58 anos, foi premiada. Formada em direito e psicologia, ela atua junto à comunidade local, onde as mulheres pescam principalmente no Rio Paraguaçu.

“São pessoas muito humildes, vítimas de violência. Às vezes, elas ficam envergenhadas de falar. Nós buscamos promover atendimentos diversos, inclusive psicológicos e médicos, além de capacitação para elas”

declarou Cátia Chagas

Nascido em 2012, o projeto presta apoio a cerca de 600 mulheres, sendo a maioria formada por mães solo e jovens com muitos filhos.

No Rio de Janeiro, o Projeto Dandara, desenvolvido pelo Tribunal de Justiça fluminense, foi outro vencedor ao atender cerca de 500 mulheres quilombolas com cursos e escuta cidadã nos territórios. A presidente da Associação Estadual das Quilombolas do Rio de Janeiro, Ana Beatriz Bernardes Nunes, da comunidade Maria Conga, em Magé, destacou que as mulheres quilombolas enfrentam ameaças por atuarem na administração dos territórios e na preservação da biodiversidade.

“As mulheres quilombolas, em sua grande maioria, são as maiores e principais administradoras dos territórios, e passam a cuidar da biodiversidade. Por isso, estão muito ameaçadas”

afirmou a liderança, que conta com acompanhamento de um programa estadual de proteção

O que é o Programa Antes que Aconteça?

Trata-se de uma iniciativa prevista pela Lei 15.398, publicada neste ano, voltada a valorizar e financiar iniciativas em todo o país voltadas à prevenção da violência de gênero.

Quais foram os valores dos financiamentos concedidos?

As práticas premiadas em oito categorias receberam repasses financeiros que vão de R$ 50 mil a R$ 200 mil, conforme divulgado pelo Ministério das Mulheres.

Quais regiões tiveram projetos contemplados na premiação?

A cerimônia realizada em Brasília reconheceu iniciativas de estados como Amazonas, Bahia e Rio de Janeiro, contemplando comunidades indígenas, de pescadores e marisqueiras, e quilombolas.

Rafael Sampaio
Escrito por

Rafael, 41 anos, é um jornalista de Milagres apaixonado pela arte de escrever. Um eterno aprendiz dedicado a contar histórias com verdade, precisão e uma profunda conexão com o leitor.

Mais Notícias

Usamos cookies para melhorar sua experiência. Ao continuar navegando, você concorda com nossa Política de Privacidade. Saiba mais