Uma separação de dois quilômetros marcou a mobilização de eleitores no centro de Brasília durante o sábado que antecedeu o pleito presidencial. A concentração de apoiadores de diferentes candidaturas ocorreu em pontos distintos da capital federal, acompanhada por trios elétricos, músicas de campanha e manifestações de divergir opiniões em meio a encontros pontuais nas ruas.
Resumo rápido:
- Apoiadores de campanhias presidenciais ocuparam locais distintos na Esplanada dos Ministérios e arredores.
- Eleitores relataram expectativas quanto ao respeito ao resultado das urnas e impactos nas relações pessoais.
- Jovens e eleitores de diferentes faixas etárias participaram das mobilizações na capital federal.
Concentrações em pontos distintos da capital
A mobilização de simpatizantes dividiu o espaço urbano entre o Museu Nacional e a Torre de TV, em Brasília, com a presença de eleitores portando bandeiras e vestindo cores associadas aos grupos políticos. Enquanto ocorria a movimentação de rua, o cenário foi marcado por relatos de divisão nas relações familiares e de amizade ao longo do período de campanha, além de expectativas sobre o panorama político nacional.
A arquiteta Hanna Brandini, de 33 anos, participou pela primeira vez de uma grande manifestação e comentou sobre o cenário de circulação de informações.
“Entendo que foi uma campanha marcada por muita desinformação. Os desentendimentos podem ser apenas momentâneos”
disse
Na mesma calçada, o bacharel em direito Leonardo, de 36 anos, relatou distanciamento de conhecidos.
“Eu desfiz muitas amizades. Entendo que há intolerância de toda parte. O que ocorreu em 8 de janeiro (atos antidemocráticos de 2023), por exemplo, é condenável. Mas me senti discriminado nos últimos anos”
afirmou
Participação de novos eleitores e diversidade de perfis
Entre os presentes nas mobilizações, jovens que votam pela primeira vez destacaram expectativas em relação ao futuro administrativo do país e pautas ligadas à educação e segurança. Estudantes e eleitores de diferentes regiões administrativas do Distrito Federal integraram os grupos que se deslocaram para acompanhar as atividades de encerramento da disputa eleitoral.
A estudante secundarista Maria Eduarda Nascimento, de 18 anos, participou de atos públicos pela primeira vez para apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro.
“Um ano importante para ela, que pretende tentar ingressar no curso superior de biomedicina”
destacou-se em sua rotina na Ceilândia
Em outro ponto da Esplanada, as irmãs gêmeas Laila e Melissa Lacerda, de 16 anos, manifestaram apoio à campanha de Luiz Inácio Lula da Silva. Laila apontou pautas prioritárias para o grupo de jovens.
“Não temos como concordar com quem defende mais armas nas ruas”
afirmou
Histórico de mobilizações populares na Esplanada
A Esplanada dos Ministérios é historicamente o principal palco de grandes manifestações políticas, sociais e sindicais do país. Desde o período de redemocratização, o local abriga atos de diferentes matizes ideológicos, funcionando como termômetro da opinião pública em momentos decisivos da história nacional, como processos eleitorais, crises institucionais e reivindicações de direitos civis.
O economista aposentado Murilo da Cunha, de 73 anos, comparou a dimensão do ato atual com eventos passados.
“Estou muito feliz e nunca vi nada igual na minha vida. Comparo com os movimentos de Diretas Já, na década de 1980, e com os cara-pintadas, de 1992”
lembrou, ao percorrer a Esplanada em cadeira de rodas
Perguntas Frequentes
Qual foi a distância entre os atos em Brasília?
A separação entre os grupos foi de aproximadamente dois quilômetros no centro de Brasília, com concentração de um lado nas imediações do Museu Nacional e de outro na Torre de TV.
Quais locais do Distrito Federal foram citados pelos manifestantes?
Além da Esplanada dos Ministérios e do centro de Brasília, moradores de regiões como Sobradinho 2 e Ceilândia participaram das atividades de rua.
O que motivou a mudança de voto de eleitores presentes?
Alguns participantes relataram alteração de posicionamento político devido a episódios específicos vivenciados nos últimos anos, como experiências familiares em unidades de saúde durante a crise sanitária.


