A mobilização de eleitoras que superam a idade obrigatória de votação ganha força em zonas rurais e urbanas para impulsionar a participação no próximo domingo (25). Mulheres com mais de 70 anos, faixa em que o sufrágio é facultativo desde a Constituição de 1988, assumiram o papel de engajar familiares e vizinhas para reduzir as ausências registradas na primeira etapa do pleito.
Resumo rápido:
- Campanha Vovó Vota aproxima gerações para combater abstenção entre eleitores com mais de 70 anos.
- Abstenção nessa faixa caiu de 58,8% em 2022 para 49,1% no primeiro turno deste ano.
- Eleitoras de estados como Maranhão, Goiás e Pernambuco relatam motivos para retornar às urnas.
O trabalho de conscientização nas comunidades rurais do Maranhão
A quebra de coco babaçu Maria Alaídes Alves de Souza, de 71 anos, percorre centenas de metros a pé e quilômetros em busca ativa para convencer outras avós e trabalhadoras da comunidade rural de Ludovico, em Lago do Junco, a comparecerem aos locais de votação.
Moradora de uma localidade com 150 famílias situada a 300 quilômetros de São Luís, a liderança estende sua preocupação a cinco localidades vizinhas: São José, Mata dos Reis, Marajá Alto Alegre, Estirão e Pau Seco. O engajamento faz parte de sua atuação em uma rede interestadual que reúne trabalhadoras do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins, território onde vivem mais de 300 mil extrativistas afetadas pelas mudanças climáticas.
“A gente busca motivar explicando que é muito importante a pessoa registrar o seu voto. Ninguém pode desanimar”
conta Maria, mãe de sete filhos e avó de sete netos
A integrante do movimento Voto 70+ reforça que a participação popular sustenta conquistas sociais.
“O voto para mim é orgulho. Voto pela manutenção de direitos e pela democracia.”
A queda na abstenção e a campanha de aproximação entre gerações
Dados do Tribunal Superior Eleitoral indicam que o contingente de brasileiros com idade superior a 70 anos alcança cerca de 16 milhões de pessoas, o equivalente a 10,6% do eleitorado nacional. Essa parcela da população historicamente apresenta índices elevados de abstenção nas urnas.
No entanto, o cenário apresentou recuo no primeiro turno do pleito atual. Conforme levantamento divulgado pelo movimento Voto 70+, a ausência de eleitores nessa faixa etária diminuiu quase 10 pontos percentuais, saindo de 58,8% em 2022 para 49,1% na votação realizada em 4 de outubro.
Para intensificar essa adesão, a campanha apartidária Vovó Vota estimula o vínculo entre netas e avós antes do pleito marcado para o próximo domingo (25). A iniciativa esclarece que quem deixou de comparecer no início do mês mantém o direito de participar nesta etapa, sem qualquer impedimento legal.
Histórias de superação e o retorno às urnas em Goiás e Pernambuco
Em Orizona, distante 130 quilômetros de Goiânia, a aposentada Maria Albino Costa, de 85 anos, optou por se abster no dia 4 de outubro devido à complexidade gerada pela quantidade de cargos em disputa, que incluía deputados, senadores, governadores e a Presidência da República.
Como a disputa atual restringe-se ao cargo presidencial, a moradora decidiu retomar a participação com o apoio da família.
“Mas dessa vez, é só para o cargo de presidente. Então, eu vou desta vez. Minha filha e minha neta vão me levar. Preciso garantir nossos direitos. Eu faço questão agora.”
Ex-merendeira e empregada doméstica, ela relembra o período sem sufrágio durante a ditadura militar entre 1964 e 1985 para justificar seu compromisso cívico diante dos sete filhos, 22 netos, seis bisnetos e um tataraneto.
A filha, a professora Sandra Oliveira, de 48 anos, destaca a importância da trajetória materna e costuma relatar o exemplo da família em salas de aula urbanas e rurais para combater manifestações de preconceito de gênero.
“Eu conto histórias de minha mãe e de outras mulheres que não tiveram direitos. A gente precisa garantir nosso espaço”
afirma a docente, primeira integrante da família a concluir o ensino superior
Já em Olinda, Pernambuco, a aposentada Maria José Cantarelli, de 80 anos, permaneceu doze anos afastada das urnas. O clima de hostilidade e os episódios de agressividade verbal nas ruas afastaram a eleitora durante o primeiro turno.
“Há ofensas e agressões que fazem com que a gente tenha medo. Existe muita violência nas ruas e os ânimos estão muito acirrados”
relata
Após diálogo familiar com os filhos e a neta, ela decidiu superar a apreensão, substituiu o documento impresso pelo aplicativo e-título e planeja retomar o registro de sua participação cívica no próximo domingo.
Perguntas Frequentes
Quem tem mais de 70 anos é obrigado a votar no Brasil?
Não. De acordo com a Constituição Federal de 1988, o voto para eleitores com idade igual ou superior a 70 anos é facultativo, ou seja, o comparecimento às urnas é uma escolha do cidadão.
Quem não votou no primeiro turno pode participar da votação no segundo turno?
Sim. A legislação eleitoral brasileira estabelece que cada turno de votação é independente. A ausência no primeiro turno não impede que o eleitor compareça e registre seu voto no segundo turno.
Onde os eleitores idosos podem tirar dúvidas sobre o local de votação?
As consultas sobre seções eleitorais e situação cadastral podem ser realizadas por meio do aplicativo oficial e-Título, disponibilizado pela Justiça Eleitoral, ou por meio dos canais oficiais do Tribunal Superior Eleitoral.


