O ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Rubén Ramírez Lezcano, anunciou nesta quinta-feira (30) a convocação do embaixador do Brasil no país, José Antonio Marcondes. A reunião foi marcada para esta sexta-feira (31) em Assunção.
A medida diplomática ocorre como reação direta a declarações feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante um evento na semana passada em Jacareí, no interior de São Paulo.
Resumo rápido:
- O chanceler Rubén Ramírez Lezcano convocou o embaixador brasileiro José Antonio Marcondes para esta sexta-feira (31).
- A tensão diplomática foi motivada por declarações do presidente Lula sobre a Guerra do Paraguai em um evento corporativo.
- Os presidentes Santiago Peña e Luiz Inácio Lula da Silva conversaram por telefone sobre o tema, classificado como delicado.
Repercussão e contato entre chancelarias
O episódio ganhou centralidade na agenda bilateral dos dois países sul-americanos. No território paraguaio, o confronto bélico ocorrido na segunda metade do século XIX é historicamente nominado como Guerra da Tríplice Aliança.
A pasta ministerial paraguaia confirmou por meio de nota oficial que os chefes da diplomacia de ambas as nações já trataram do assunto. O ministro Mauro Vieira e o chanceler Rubén Ramírez Lezcano conversaram pessoalmente sobre o tema durante missão oficial em Lima, no Peru.
Além do encontro entre os ministros, os chefes de Estado mantiveram diálogo direto. O presidente paraguaio, Santiago Peña, e o presidente brasileiro conversaram por telefone para abordar o assunto, que o governo vizinho classificou formalmente como delicado.
O discurso que motivou o atrito
As declarações contestadas pela administração paraguaia foram proferidas por Lula na sede da empresa Avibras Aerocoespacial. O chefe do Executivo brasileiro utilizava o episódio histórico para defender a necessidade de investimentos na indústria de defesa nacional.
* Contexto geográfico e histórico citado pelo presidente brasileiro no interior paulista:
* Fronteiras terrestres com quase todas as nações sul-americanas, exceto Chile e Equador.
* Menção ao conflito deflagrado na segunda metade do século XIX.
* Duração estimada do confronto armado entre as nações envolvidas.
“A gente tem fronteira com todos os países da América do Sul, menos Chile e Equador. A gente tem a África na nossa frente e tem uns loucos no mundo querendo fazer guerra. E a gente não pode esquecer que, embora a gente só goste de paz, seja de paz, um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil. E invadiu Uruguai e Argentina. E aquela guerra que não parecia nada durou cinco anos”, afirmou Lula durante a solenidade.
Posição oficial do governo paraguaio
As autoridades de Assunção classificaram o episódio bélico travado entre 1864 e 1870 como um momento sensível da memória coletiva e da soberania nacional. A gestão do presidente Santiago Peña optou por conduzir o impasse por canais formais da chancelaria.
“A dignidade do Paraguai não se negocia. Quero que saibam que, sob a liderança do presidente Santiago Peña, desde o começo temos abordado o tema no mais alto nível. A diplomacia tem seus tempos, suas formas e, acredite, a moderação do presidente da República tem sido fundamental na gestão desses prazos e formas”, pontuou o ministro Rubén Lezcano.
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Perguntas Frequentes
Quem foi convocado pelo governo do Paraguai?
O embaixador do Brasil no Paraguai, José Antonio Marcondes, foi convocado pelo ministro das Relações Exteriores paraguaio, Rubén Ramírez Lezcano.
Qual foi o motivo da convocação diplomática?
O descontentamento do governo paraguaio com declarações feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a Guerra do Paraguai.
Como os presidentes dos dois países trataram o assunto?
O presidente Santiago Peña e o presidente Lula conversaram por telefone sobre o tema, considerado delicado pela chancelaria paraguaia.

