Equidade racial nas decisões de gestão e reavaliação de acervos históricos pautam os debates que movimentam o Centro Cultural Solar Ferrão nesta quarta-feira (4) e quinta-feira (5). A capital baiana foi escolhida para sediar a edição de estreia do I SIMMA por sua centralidade na preservação da memória afro-brasileira.
Resumo rápido:
- Salvador sedia encontro para discutir práticas de inclusão e equidade racial em instituições culturais brasileiras.
- Programação inclui entregas de premiações e audiência pública voltada a gestores e profissionais do setor.
- Atividades no Pelourinho contam com percursos guiados para analisar narrativas sobre os processos de colonização.
Inclusão e diversidade na gestão cultural
O I Simpósio Internacional de Museus e Museologias Antirracistas (I SIMMA) reúne pesquisadores, integrantes da sociedade civil, estudantes, gestores e profissionais da cultura. O encontro visa debater o combate ao racismo e o fortalecimento de práticas inclusivas nos espaços museológicos.
A articulação das atividades faz parte do projeto
“Ações Antirracistas em Museus: Redes Tecidas entre Brasil, América Latina e Caribe”
A iniciativa é fruto do trabalho do Comitê Permanente Antirracista do Conselho Internacional de Museus (ICOM Brasil), contando com o apoio institucional do IPAC, em cooperação com a Rede Museologia Kilombola (RMK) e o Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos (IPN).
A representatividade na liderança das instituições foi apontada pelo diretor-geral do IPAC, Marcelo Lemos Filho, como um passo central na transformação dos espaços.
“Os corpos negros precisam estar nos museus não apenas como visitantes, mas também ocupando os espaços de decisão e contando a nossa própria história. É um trabalho coletivo, que exige diálogo, participação e compromisso permanente”
afirmou
O presidente da Rede Museologia Kilombola, Lucas Ribeiro, reforçou que a escolha do local reflete a importância de ocupar recintos tradicionais.
“Desde o início, a gente pensou em trazer o primeiro simpósio internacional de museus e museologia antirracista para o estado da Bahia, por Salvador ser uma cidade negra. Estar em um espaço como o Solar Ferrão também evidencia a importância desse território e a dianteira do IPAC e do Governo do Estado nesse debate”
destacou
Como funciona a reestruturação de narrativas nos acervos
A transformação de acervos culturais exige a revisão de abordagens históricas e a ampliação do acesso público para romper barreiras sociais de ingresso.
Durante as discussões, Lucas Ribeiro destacou que barreiras invisíveis continuam afastando parcelas da população do circuito cultural tradicional.
“Eu costumo pensar que os museus, muitas vezes, têm uma catraca invisível. Isso faz com que pessoas periféricas, pessoas negras e pessoas LGBT não entrem, seja por acharem que não são bem-vindas ou por não compreenderem essa lógica. O acesso democrático à cultura é um dever do Estado brasileiro”
afirmou
Na tarde de quarta-feira (4), uma audiência pública reúne pesquisadores, representantes de entidades profissionais, órgãos públicos e da sociedade civil. O grupo busca mapear desafios do racismo estrutural e definir boas práticas para o setor cultural baiano.
Programação prática e reconhecimentos no setor
A agenda de quinta-feira (5) abre pela manhã com percursos educativos mediados no Centro Cultural Solar Ferrão e no Museu Abelardo Rodrigues. As visitas examinam o acervo sob a ótica dos processos coloniais, destacando as contribuições das populações negras, afro-brasileiras e indígenas no desenvolvimento nacional.
No turno vespertino, os participantes acompanham a apresentação do Comitê do Edital e a entrega de distinções formais. Durante a cerimônia, 15 iniciativas e instituições recebem o Troféu Muriquinho e o Selo Museus Antirracistas pelo trabalho contínuo na promoção da equidade racial.
A realização de eventos voltados à equidade nos museus reflete um movimento necessário de reavaliação sobre a função social dessas instituições. A inclusão de profissionais negros e indígenas em instâncias decisórias tende a garantir abordagens mais fiéis à diversidade cultural do país. Permanecem como pontos para acompanhamento futuro a medição da efetividade do Selo Museus Antirracistas no cumprimento de suas metas e a consolidação de políticas públicas permanentes para os acervos da Bahia.
Perguntas Frequentes
Onde acontecem as atividades do I SIMMA em Salvador?
As conferências, mesas de debate e visitas guiadas são realizadas nas instalações do Centro Cultural Solar Ferrão e no Museu Abelardo Rodrigues, localizados no Pelourinho.
Quais instituições organizam o evento antirracista?
O evento é promovido pelo Comitê Permanente Antirracista do ICOM Brasil, em conjunto com a RMK e o IPN, contando com a cooperação institucional do IPAC.
Quantas iniciativas serão premiadas no simpósio?
Ao todo, 15 projetos e instituições culturais serão contemplados com o Selo Museus Antirracistas e o Troféu Muriquinho por suas práticas de combate à discriminação.
