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Brasil & Mundo

Unesco registra 189 mortes de jornalistas em dois anos

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morte de jornalistas
Reprodução / Divulgação
📖 Leitura: 6 Min

O monitoramento global de violações contra a imprensa apontou a perda de 189 profissionais da comunicação em âmbito internacional durante o biênio de 2024 e 2025, conforme dados divulgados pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura em 2 de novembro de 2026. O volume representa o maior patamar verificado pelo organismo internacional desde o intervalo correspondente a 2014 e 2015, quando o índice alcançou 215 ocorrências letais.

Resumo rápido:

  • Unesco contabilizou 189 assassinatos de jornalistas no mundo entre 2024 e 2025.
  • O índice representa um acréscimo de 24% na comparação com o biênio anterior.
  • A Palestina registrou o maior número de casos, enquanto o Brasil contabilizou uma ocorrência.

O impacto dos conflitos armados na segurança profissional

O principal fator de risco para os profissionais de imprensa permanece concentrado em territórios afetados por confrontos bélicos, que concentraram 127 das mortes catalogadas, equivalente a 67% do total global. O número geral de ocorrências letais apresentou crescimento de 24% frente aos anos de 2022 e 2023. O documento produzido pelo organismo internacional detalha que o uso de armamentos específicos, a exemplo de drones, resultou em 50 óbitos no período, enquanto atentados contra sedes de veículos de comunicação e abrigos destinados a equipes de reportagem somaram pelo menos 36 vítimas fatais.

Em cenários de guerra, situações específicas evidenciaram a vulnerabilidade das equipes, como episódios em que nove profissionais faleceram simultaneamente. A apuração também identificou ao menos 15 ocorrências em que os comunicadores portavam coletes com identificação visual ostensiva ou utilizavam automóveis devidamente sinalizados como pertencentes à imprensa no momento em que foram atingidos. A diretora de Liberdade de Expressão e Desenvolvimento da Mídia e Alfabetização Midiática e Informacional do organismo, Sylvie Couldray, pontuou sobre a gravidade da cobertura em áreas de risco:

“Isso mostra que fazer reportagens sobre alguns assuntos pode ser tão perigoso quanto reportar em uma zona de guerra”

Ocorrências fora de zonas de conflito e recortes demográficos

Em contrapartida, as localidades sem histórico recente de guerras registraram 62 casos de profissionais mortos no mesmo biênio, o menor patamar em quase duas décadas. Deste grupo, 17 pessoas foram atingidas nas dependências de trabalho, 33 dentro de veículos e 20 na residência particular — em certas circunstâncias acompanhadas por familiares. Os motivos das investidas letais abrangeram a cobertura de disputas políticas, investigações sobre crimes organizados e denúncias de corrupção, além de quatro óbitos em atentados terroristas e sete durante atos públicos e protestos.

O perfil das vítimas abrangeu diferentes faixas etárias, incluindo cinco pessoas entre 15 e 24 anos e 20 indivíduos na faixa de 25 a 29 anos. O número de mulheres mortas chegou a 14, o que corresponde a 7% do total e marca a menor proporção desde o biênio 2012 e 2013. Territorialmente, a Faixa de Gaza concentrou o maior volume de registros negativos, com 62 mortes atribuídas a ofensivas das forças israelenses, contabilizando um terço das ocorrências mundiais.

O caso registrado no Brasil e as medidas de investigação

No território brasileiro, a documentação oficial registrou uma ocorrência fatal no período avaliado. Trata-se do assassinato de Luís Augusto Carneiro da Costa, conhecido publicamente como Luisinho Costa, cujos disparos letais ocorreram no interior do estúdio da Rádio Guarany, situada no município paraense de Abaetetuba, em maio de 2025. Conforme informações repassadas pela Polícia Civil do Pará, a investigação policial foi encerrada e os autos remetidos ao Poder Judiciário com o indiciamento formal de quatro suspeitos.

Em âmbito institucional, a resposta estatal a crimes dessa natureza envolveu o contato com dezenas de governos. Do total de 78 administrações nacionais contatadas pela organização internacional, 38 enviaram dados sobre ações voltadas à proteção de comunicadores. O governo brasileiro integrou o repositório de mecanismos de segurança ao reportar a adoção do Protocolo Nacional para a Investigação de Crimes contra Jornalistas e Comunicadores Sociais, lançado em abril do ano corrente pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Cenário persistente de impunidade global

O levantamento histórico mantido pelo organismo desde 2006 acumula 1.641 homicídios de profissionais de imprensa ao redor do planeta, dos quais apenas 223 tiveram desfecho judicial com a devida solução dos casos, representados por 14% do total. A maior parcela das ocorrências, somando 1.013 episódios ou 66%, permanece sem punição aos responsáveis, mantendo processos em andamento. Em 321 situações, equivalentes a 20%, o sistema de justiça local não forneceu respostas formais às consultas da entidade.

O índice geral de impunidade, que agrupa os casos pendentes e aqueles sem retorno oficial das autoridades, atingiu 86% no período avaliado, registrando um incremento de um ponto percentual em relação ao ano anterior e marcando a primeira elevação desse indicador desde 2012. A diretora de Comunicação e Informação da Unesco, Mariya Gabriel, destacou a relevância do monitoramento:

“O relatório é uma ferramenta importante para monitorar as tendências globais, além de nos lembrar que proteger jornalistas e acabar com a impunidade são essenciais para salvaguardar a liberdade de expressão e o direito do público à informação”

Perguntas Frequentes

Quantos jornalistas foram mortos no mundo entre 2024 e 2025?

O levantamento da Unesco registrou 189 assassinatos de profissionais de imprensa no biênio, o maior número desde 2014 e 2015.

Qual região registrou o maior número de mortes de profissionais da imprensa?

A Palestina concentrou o maior índice de ocorrências fatais no período, com 62 casos registrados em meio aos conflitos locais.

Qual foi o caso registrado no Brasil no relatório da Unesco?

O documento contabilizou a morte de Luís Augusto Carneiro da Costa, o Luisinho Costa, assassinado em maio de 2025 no estúdio da Rádio Guarany, em Abaetetuba (PA).

Rafael Sampaio
Escrito por

Rafael, 41 anos, é um jornalista de Milagres apaixonado pela arte de escrever. Um eterno aprendiz dedicado a contar histórias com verdade, precisão e uma profunda conexão com o leitor.

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