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Política

Meta recusa canal de proteção a jornalistas solicitado por ministério

Por Rafael Sampaio | Publicado em
Meta
Paulo Pinto/Agência Brasil
📖 Leitura: 5 Min

A negativa da empresa controladora do Instagram, do Facebook e do WhatsApp em estabelecer um canal exclusivo de atendimento para comunicadores gerou debates sobre a segurança digital no país. O Ministério da Justiça e Segurança Pública havia requerido a implantação da ferramenta com o objetivo de tratar de forma ágil ocorrências de ameaças e bloqueios de perfis.

Resumo rápido:

  • Meta recusa criar canal de atendimento urgente para jornalistas solicitado pelo governo federal.
  • Ministério da Justiça apontou milhares de ataques digitais e restrições a contas no ambiente online.
  • Empresa alegou complexidade técnica e afirmou que canais gerais disponíveis já são suficientes.

Resposta oficial e os argumentos apresentados pela companhia

A companhia responsável pelas redes sociais argumentou que o pedido envolve complexidade técnica, operacional e jurídica. “[A empresa] afirmou que o mecanismo poderia representar a

“assunção [aceitação] de novas obrigações regulatórias”

revelou o observatório

Além disso, a corporação pontuou que o tema exige prazos mais longos de avaliação e que suas normativas tratam todos os usuários de maneira igualitária, tornando os meios padrão suficientes para atender demandas do setor.

A solicitação havia sido encaminhada pelo Observatório da Violência Contra Jornalistas e Comunicadores Sociais, vinculado à pasta ministerial. Em nota oficial divulgada sobre o caso, o órgão especificou que a medida foi motivada pelos

“recorrentes relatos de bloqueios, suspensões e outras restrições envolvendo jornalistas, comunicadores e veículos de comunicação”

A equipe de jornalismo da Agência Brasil buscou a assessoria da corporação tecnológica, que respondeu que o assunto não seria comentado.

Dados sobre ataques digitais e o posicionamento governamental

As secretarias de Justiça, de Direitos Digitais e de Políticas Digitais integradas à estrutura ministerial enfatizaram números levantados por organizações do setor. Segundo a Coalizão em Defesa do Jornalismo, foram catalogados 14.182 ataques digitais contra profissionais e empresas jornalísticas apenas durante o primeiro turno. Adicionalmente, a organização CTRL+Z somou 1.121 relatos envolvendo restrições e remoções de perfis e conteúdos de cunho político sem justificativas claras.

Diante do cenário, o ministério destacou que os números expõem problemas graves para o debate público.

“Os levantamentos expõem duas ameaças ao debate público: a escalada da violência contra quem produz informação e a falta de transparência nas decisões que podem restringir sua circulação, com potencial impacto no legítimo exercício da liberdade de expressão”

apontam as secretarias

O comunicado oficial reiterou a

“necessidade de mecanismos específicos e permanentes de proteção a jornalistas, comunicadores e veículos de comunicação no ambiente digital”

estendendo a demanda para além dos períodos de eleições

Para a pasta federal, a cooperação pontual com a Justiça Eleitoral e as ferramentas genéricas oferecidas pela plataforma

“não substituem um mecanismo de proteção capaz de responder a situações urgentes de violência contra jornalistas, inclusive fora do período eleitoral”

O ministério concluiu alertando que investidas restritivas contra a imprensa afetam toda a sociedade ao comprometer o acesso à informação pública.

Entidade / Órgão Papel ou Dado Informado
Ministério da Justiça e Segurança Pública Coordenou o pedido de criação do canal especializado por meio de suas secretarias.
Observatório da Violência Contra Jornalistas Órgão que formalizou a solicitação e divulgou as justificativas recebidas da empresa.
Coalizão em Defesa do Jornalismo Apontou o registro de 14.182 ataques digitais durante o primeiro turno.
Organização CTRL+Z Reuniu 1.121 relatos de restrições a contas e conteúdos políticos.

Perguntas Frequentes

Qual foi o pedido feito pelo Ministério da Justiça à Meta?

O governo solicitou a criação de um canal direto e permanente para receber e acompanhar denúncias urgentes de ameaças, assédio, ataques e bloqueios de contas de jornalistas e veículos de imprensa.

Qual foi a justificativa da empresa para recusar a solicitação?

A companhia argumentou que a medida apresenta complexidade técnica, jurídica e operacional, podendo significar a aceitação de novas obrigações regulatórias, além de afirmar que as políticas atuais aplicam-se igualmente a todos os usuários.

Quantos ataques digitais foram registrados durante o primeiro turno?

Foram catalogados 14.182 ataques digitais contra profissionais da imprensa e veículos de comunicação, conforme levantamento da Coalizão em Defesa do Jornalismo citado pelas secretarias do ministério.

Rafael Sampaio
Escrito por

Rafael, 41 anos, é um jornalista de Milagres apaixonado pela arte de escrever. Um eterno aprendiz dedicado a contar histórias com verdade, precisão e uma profunda conexão com o leitor.

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