A disputa pela liderança nacional na colheita do fruto ganhou novos desdobramentos com a reorganização do diálogo entre produtores e o poder público estadual. A retomada oficial do colegiado ocorreu em formato híbrido, promovida por pasta estadual de agricultura, marcando um novo momento na busca por soluções estruturais para o campo.
Resumo rápido:
- Governo baiano retoma Câmara Setorial da Cocoicultura para fortalecer mercado e produtores.
- Reunião elegeu liderança privada e debateu escassez de mão de obra e custos de insumos.
- Iniciativa busca retomar liderança na produção de coco disputada com o Ceará.
Nova liderança e articulação entre setor produtivo e Estado
A escolha do presidente da Associação Nacional dos Produtores de Coco (Aprococo), Reinaldo Nascimento, para comandar a Câmara Setorial marcou o encontro promovido pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri). O dirigente apontou que a união entre os interesses privados e as diretrizes estatais mira o apoio direto aos agricultores de menor porte. “É essencial essa parceria entre a iniciativa privada e o poder público, com um olhar especial para os pequenos e médios produtores. Também é preciso que seja criado um ambiente favorável para os negócios, trazendo retorno ao investimento aplicado”, afirmou Nascimento. A estratégia pedagógica e institucional do colegiado envolve a formulação de normas de suporte e a meta de reposicionar o estado no topo da colheita do fruto no país, posição atualmente ocupada pelo Ceará.
A articulação prática do grupo utiliza o suporte operacional da Fundação Luís Eduardo Magalhães (Flem) para estruturar o plano de revitalização. Na visão do diretor de Desenvolvimento da Agricultura da Seagri e coordenador das Câmaras Setoriais, Assis Pinheiro Filho, o colegiado consolida um canal direto de negociação diante dos cenários comerciais globais. “Anos atrás, a cocoicultura baiana conseguiu enfrentar a concorrência com a água de coco vinda da Malásia. Assim como o citros e o cacau, as demandas de mercado são muito fortes e com a Câmara, vamos poder avançar em ações para valorização da produção local”, destacou.
Obstáculos operacionais e diagnósticos para o campo
O planejamento das atividades do grupo de trabalho passa diretamente pela identificação de gargalos financeiros e operacionais enfrentados por quem cultiva o fruto. Entre as principais dificuldades relatadas pelos produtores estão a escassez de mão de obra disponível para o trabalho rural e a alta carga financeira exigida na compra de insumos agrícolas, com destaque para a aquisição de fertilizantes. Para mitigar esse cenário, a pauta da primeira reunião incluiu a necessidade de estruturar um levantamento detalhado das demandas da cadeia produtiva, desenhar um planejamento estratégico de desenvolvimento e facilitar o acesso a linhas específicas de crédito bancário voltadas ao setor.
As discussões do colegiado refletem a complexidade logística e financeira da atividade agrícola regional. A dependência de insumos importados ou de alto valor de mercado pressiona a margem de lucro dos agricultores, enquanto a concorrência comercial exige padronização e investimentos contínuos em tecnologia de cultivo e irrigação. O direcionamento do crédito subvencionado surge, portanto, como uma das principais ferramentas para sustentar a permanência das famílias no campo e assegurar a competitividade frente a outros estados produtores.
Pluralidade institucional na formulação de diretrizes públicas
O funcionamento do colegiado obedece a um modelo consultivo junto à Seagri, servindo como base técnica para a criação e avaliação de políticas voltadas ao meio rural sustentável. O decreto de revitalização amplia a mesa de debates para além da pasta agrícola, integrando diversas secretarias e órgãos estaduais e federais com atuação direta na infraestrutura, no fomento econômico e na assistência social.
Participam formalmente da mesa de debates as secretarias estaduais de Desenvolvimento Rural (SDR), Desenvolvimento Econômico (SDE), Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi), Meio Ambiente (Sema), Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre) e Assistência e Desenvolvimento Social (Seades). A estrutura institucional ainda conta com o suporte técnico e fiscalizador da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), da Agência de Fomento do Estado da Bahia (Desenbahia), da Bahia Pesca e da Superintendência Federal de Agricultura e Pecuária na Bahia (SFA-BA/Mapa), ligada ao Ministério da Agricultura e Pecuária.
A representação do setor produtivo e dos municípios é complementada pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb/Senar), pela Cooperativa Agroindustrial Vale Sauípe (Coopevales), pela Prefeitura de Jandaíra, pela Cooperativa Agropecuária Mista da Região de Alagoinhas (Coopera) e pela Peirot Agronegócios. Essa composição multissetorial busca garantir que as decisões tomadas pelo grupo considerem tanto as exigências sanitárias quanto as peculiaridades regionais do escoamento da produção.
Perguntas Frequentes
Qual é o principal objetivo da retomada da Câmara Setorial da Cocoicultura?
A iniciativa busca ampliar a participação do setor produtivo na formulação de estratégias para aumentar a produtividade, superar desafios de mercado e fortalecer a competitividade do coco baiano nos âmbitos nacional e internacional.
Quem assumiu a presidência da Câmara Setorial?
O presidente da Associação Nacional dos Produtores de Coco (Aprococo), Reinaldo Nascimento, foi eleito para liderar o colegiado durante o encontro promovido pela Seagri.
Quais são os principais desafios enfrentados pelos produtores de coco na Bahia?
O setor aponta como principais obstáculos a escassez de mão de obra para o trabalho rural e o elevado custo dos insumos, especialmente dos fertilizantes necessários para a manutenção das lavouras.


