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Senado aprova fim da escala 6×1 em votação histórica no Congresso

Por Rafael Sampaio | Publicado em
escala 6x1
Tomaz Silva/Agência Brasil
📖 Leitura: 5 Min

Trabalhar de segunda a sábado com apenas um dia de descanso semanal é a realidade enfrentada por profissionais em diversas funções pelo país, a exemplo da garçonete Adrielle Barbosa de Aquino, de 27 anos, que atua em um estabelecimento no centro da cidade do Rio de Janeiro. A rotina sem folgas duplas acompanha a trajetória de muitos brasileiros desde a juventude, gerando impactos diretos na convivência familiar e na gestão de compromissos pessoais fora do expediente. O cenário centralizou o debate político e legislativo no país após a deliberação do Senado Federal.

Resumo rápido:

  • Senado Federal aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 na quarta-feira (14).
  • Trabalhadores e aposentados relatam impactos da jornada exaustiva de seis dias de trabalho.
  • Pesquisa da Nexus indica apoio de 73% da população ao fim da escala 6×1.

O impacto da jornada exaustiva na rotina dos trabalhadores

A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 pelo Senado Federal ocorreu nesta quarta-feira (14), gerando expectativas em trabalhadores de diferentes setores. A mudança na legislação é vista por quem cumpre a jornada de seis dias de trabalho como uma oportunidade de conquistar mais tempo livre para descanso, lazer, estudos e acompanhamento de saúde. Dados de uma pesquisa realizada em fevereiro deste ano pela Nexus apontam que 73% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1.

Para Adrielle Barbosa de Aquino, mãe de duas crianças que trabalha como garçonete na capital fluminense, a dinâmica atual limita a resolução de necessidades básicas. “Nessa escala 6×1, eu só tenho o domingo de folga, né? É o dia que eu tenho para resolver minhas coisas. Um dia para resolver mil coisas e a gente fica perdida. Ainda mais quando a gente é mãe. É pesado!”, relatou. Ela acrescenta que, quando precisa resolver demandas em dias úteis, como consultas médicas dos filhos, precisa se ausentar do posto: “a gente acaba perdendo um dia de trabalho e tem o salário descontado”.

Depoimentos e relatos de quem viveu sob o regime de seis dias

A rotina de apenas uma folga semanal também marcou a trajetória de profissionais em diferentes etapas da vida e setores de atuação. Cristiane Wandermuren, de 56 anos, que atua como ajudante de cozinha após passar anos como auxiliar de serviços gerais, comentou a aprovação no centro do Rio de Janeiro. “Só temos o domingo. Como eu vou no domingo ao médico? Médico a gente normalmente vai no meio da semana… Aí o patrão já fica de cara feia se você chega mais tarde”, pontuou, destacando o desejo de dedicar mais tempo aos netos e à saúde.

Outras profissionais que já encerraram a vida laboral ativa compartilham da mesma avaliação sobre o peso do modelo antigo. Maria Antônia de Carvalho, de 63 anos, trabalhou na escala 6×1 durante toda a vida e precisou se aposentar para conseguir períodos maiores de descanso. “Eu trabalhei na 6×1 minha vida inteira. Era horrível não ter tempo para nada. Eu não tinha tempo para nada. Não dava mesmo. Quando você pensava que ia descansar, no outro dia você já estava trabalhando de novo”, afirmou.

No mesmo sentido, Luciana Machado, de 65 anos, relatou que passou quase toda a vida sob o mesmo regime e conseguiu mudar para a escala 5×2 apenas recentemente, já aposentada. No entanto, ela apontou preocupações com a transição e a necessidade de cumprir horas adicionais para compensar o sábado livre. Já Simone Cunha de Oliveira, que trabalhou 15 anos no modelo de seis dias e hoje atua em uma escola com duas folgas semanais, destacou a melhora na qualidade de vida e na saúde. “As pessoas estão ficando doentes de tanto trabalhar. Que elas tenham o descanso que merecem”, declarou sobre a expectativa em relação à irmã, que ainda atua como vendedora de automóveis e cumpre a jornada antiga.

Perguntas Frequentes

Quando a Proposta de Emenda à Constituição foi aprovada?

A PEC 221/2019 foi aprovada pelo Senado Federal nesta quarta-feira (14).

Qual é o percentual de apoio popular apontado por pesquisa?

Uma pesquisa realizada em fevereiro deste ano pela Nexus indica que 73% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1.

Quais são os principais desafios relatados pelos trabalhadores afetados?

Os trabalhadores apontam dificuldades para realizar consultas médicas, cuidar da saúde, resolver pendências cotidianas e passar tempo com a família devido ao limite de apenas um dia de descanso semanal.

Rafael Sampaio
Escrito por

Rafael, 41 anos, é um jornalista de Milagres apaixonado pela arte de escrever. Um eterno aprendiz dedicado a contar histórias com verdade, precisão e uma profunda conexão com o leitor.

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