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Roda de Choro da Rádio MEC resgata álbuns históricos de Altamiro Carrilho

Por Rafael Sampaio | Publicado em 20/09/2026 às 14:13
Roda de Choro
Rádio MEC
📖 Leitura: 6 Min

A preservação da memória musical brasileira ganha novo fôlego com a transmissão de arranjos históricos que marcaram a trajetória de Altamiro Carrilho, figura central na difusão internacional da flauta no país, cuja obra é o foco principal da nova temporada do programa Roda de Choro.

Resumo rápido:

  • Rádio MEC transmite edição dedicada aos álbuns Choros Imortais de Altamiro Carrilho.
  • Apresentação conta com acompanhamento de icônicos instrumentistas como Dino 7 Cordas e Canhoto.
  • Repertório abrange dezenas de composições clássicas de grandes nomes do gênero brasileiro.

A relevância histórica dos volumes Choros Imortais

Publicados originalmente entre 1964 e 1965, os dois volumes de Choros Imortais representam um marco na discografia nacional, reunindo execuções primorosas que consolidaram o formato tradicional das rodas de choro em estúdio. A curadoria da emissora resgata essas gravações para apresentá-las a novas gerações de ouvintes interessados na raiz do gênero.

O projeto fonográfico original não contou apenas com o talento à flauta de Altamiro Carrilho, mas também reuniu um verdadeiro seleto grupo de ases da música instrumental brasileira. Participaram das sessões o conjunto Regional do Canhoto, os violonistas Dino 7 Cordas e Meira, o cavaquinhista Canhoto, o acordeonista Orlando Silveira e o percussionista Gilson Martins no pandeiro.

O repertório detalhado da edição especial

A seleção musical da transmissão abrange faixas emblemáticas que definem a estética do choro clássico, com arranjos executados pelos mestres da época. A tabela abaixo sintetiza algumas das principais obras executadas e seus respectivos autores presentes no programa:

Composição Autor(es)
Doce de Coco Jacob do Bandolim
Naquele Tempo Pixinguinha
Língua de Preto Honorino Lopes
Harmonia Selvagem Dante Santoro
Evocação Rubens Leal Brito
Sonoroso Kchimbinho e Del Loro

O papel estrutural do choro na identidade sonora

O choro é considerado a primeira música urbana tipicamente brasileira, tendo nascido no Rio de Janeiro em meados do século XIX. A partir da fusão de ritmos europeus, como a valsa, a esquermosa e a polca, com influências afro-brasileiras e a syncopation do lundu, o estilo desenvolveu uma linguagem altamente sofisticada. Os instrumentistas desse gênero exigem virtuosismo técnico e profunda capacidade de improvisação melódica dentro de uma estrutura harmônica rigorosa, características marcantes nas interpretações de Altamiro Carrilho.

A difusão cultural pelas ondas do rádio público

A transmissão de conteúdos dedicados ao patrimônio fonográfico nacional cumpre uma função social indispensável diante da saturação de algoritmos comerciais nas plataformas de streaming. Ao dar visibilidade a discos raros e gravações históricas, emissoras públicas garantem o acesso democrático à alta cultura e fortalecem a cadeia produtiva da memória artística, educando o público sobre a gênese da nossa identidade musical.

Utilidade Pública e Como Sintonizar

Para acompanhar a atração, o ouvinte pode sintonizar a Rádio MEC aos domingos, às 20h, na frequência FM 99,3 MHz no Rio de Janeiro, ou em Brasília na FM 87,1 MHz e AM 800 kHz, além da transmissão paralela pela Rádio Nacional às sextas-feiras, às 22h. Também é possível acessar o conteúdo digitalmente por meio do aplicativo Rádios EBC para smartphones Android e iOS ou diretamente nos portais oficiais na internet.

Conexão Institucional e Preservação de Acervos

A iniciativa reforça o compromisso histórico da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) com a guarda e a difusão de arquivos sonoros fundamentais. O trabalho realizado pelas rádios públicas funciona como um verdadeiro museu vivo, onde fitas e discos de vinil se transformam em experiências auditivas acessíveis, dialogando diretamente com a preservação patrimonial executada por instituições culturais do país.

O legado perene do flautista na música instrumental

A trajetória de Altamiro Carrilho transcende as fronteiras do convencional ao transformar a flauta doce e a transversal em veículos de extrema expressividade popular. Sua habilidade em dialogar com o choro tradicional sem perder a inventividade abriu portas para que o instrumento ganhasse autonomia melódica em conjuntos instrumentais, influenciando gerações de flautistas que vieram a público nas décadas seguintes.

Por que resgatar esses registros hoje

Em um mercado fonográfico obcecado por novidades efêmeras, revisitar produções dos anos sessenta não é um exercício de nostalgia estéril, mas um ato de resistência cultural. O rigor técnico e a organicidade dos arranjos originais expõem a urgência de redescobrirmos a densidade composicional de mestres que construíram a espinha dorsal da nossa estética sonora. A escolha da emissora em priorizar essa escuta atenta reafirma o rádio como espaço privilegiado de reflexão artística e valorização do nosso mais genuíno patrimônio imaterial.

Perguntas Frequentes

Quando o programa Roda de Choro vai ao ar na Rádio MEC?

A atração é transmitida todos os domingos, às 20h, na programação oficial da Rádio MEC, contando também com reprises na Rádio Nacional às sextas-feiras, às 22h.

Quais álbuns são celebrados nesta edição especial da emissora?

O programa destaca os volumes Choros Imortais, gravados pelo virtuoso flautista Altamiro Carrilho e lançados originalmente entre 1964 e 1965.

Como é possível sintonizar a programação fora do Rio de Janeiro?

Os ouvintes podem acompanhar a transmissão por meio das frequências em Brasília e Belo Horizonte, pela antena parabólica, ou digitalmente através do aplicativo Rádios EBC para dispositivos móveis.

Rafael Sampaio
Escrito por

Rafael, 41 anos, é um jornalista de Milagres apaixonado pela arte de escrever. Um eterno aprendiz dedicado a contar histórias com verdade, precisão e uma profunda conexão com o leitor.

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