Um grupo formado por 55 veículos de jornalismo independente divulgou na quarta-feira (14) um editorial conjunto com críticas a propostas do candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) e alertas sobre ameaças à democracia brasileira. O manifesto defende a liberdade de imprensa e o direito da população ao acesso a informações verificáveis.
Resumo rápido:
- Cinquenta e cinco veículos independentes publicaram manifesto em defesa da democracia.
- O texto aponta preocupações com propostas do candidato Flávio Bolsonaro.
- A campanha do candidato acionou o TSE para suspender postagens de perfis.
O papel da imprensa e as críticas ao grupo político
O editorial publicado pelos 55 veículos independentes enfatiza que a sociedade depende de uma imprensa livre para fiscalizar o poder público. “Esse direito depende de um ambiente de informação íntegro, onde informações confiáveis, verificáveis e plurais possam circular livremente. O jornalismo tem papel essencial na construção desse ambiente, ao investigar casos de corrupção, abusos de poder e violações de direitos, produzindo evidências que ajudam a sociedade a compreender a realidade, cobrar responsabilidades e dar visibilidade a populações frequentemente negligenciadas”, aponta o documento.
As organizações direcionam críticas às propostas de Flávio Bolsonaro (PL) para a Presidência da República. Segundo o texto, durante o mandato de Jair Bolsonaro, pai do candidato, a atividade jornalística conviveu com um cenário de repressão, intimidações e agressões verbais por parte do então presidente.
Dados de violência contra profissionais de imprensa
O manifesto fundamenta as preocupações com base em registros de entidades do setor de comunicação. Entre 2019 e 2022, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) contabilizou 1.442 episódios de violência contra jornalistas e ataques à imprensa, patamar que representa uma média anual três vezes superior à registrada no intervalo entre 2010 e 2018.
Já a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) documentou 557 alertas de violações à liberdade de imprensa ao longo de 2022. Desse total, o editorial destaca que 41,6% envolveram ao menos um integrante da família Bolsonaro.
A posição dos veículos sobre o cenário eleitoral
Para os portais signatários, o atual candidato tende a manter uma postura de confrontação com a imprensa e as instituições democráticas. O manifesto aponta que a prioridade declarada de buscar a libertação do pai e a anulação da condenação por tentativa de abolição do Estado democrático, somada ao desejo de realizar mudanças na Constituição caso seja eleito, sinaliza riscos institucionais.
“O fato de não ser tão verborrágico e agressivo quanto o pai não faz com que seus atos se tornem menos graves”, afirmam os veículos no texto. “Não é possível ignorar a trajetória de um grupo político que questionou a legitimidade das eleições, confrontou instituições responsáveis por fiscalizar o poder e agora pretende modificar algumas dessas mesmas instituições”, acrescentam.
As organizações ressaltam que o cerceamento ao trabalho dos profissionais de imprensa compromete o direito da população de obter dados de interesse público. “A população depende de uma imprensa livre para fiscalizar o poder. E uma imprensa livre depende de instituições capazes de assegurar direitos, garantir acesso a informações públicas, proteger profissionais contra intimidações e responsabilizar quem tenta impedir seu trabalho”, pontua o editorial.
A resposta da campanha e ações judiciais
A Agência Brasil entrou em contato com a campanha de Flávio Bolsonaro para obter um posicionamento a respeito do editorial, mas não obteve retorno até o momento, permanecendo o espaço aberto para manifestações.
Em evento recente realizado no Rio de Janeiro no mesmo mês, Flávio Bolsonaro declarou que pretende garantir a liberdade de imprensa caso vença o pleito, argumentando que tanto cidadãos quanto profissionais de comunicação possuem o direito legítimo de criticar o governo.
Paralelamente, a equipe jurídica da candidatura acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o objetivo de suspender 221 postagens feitas por políticos, artistas, sindicatos e veículos de comunicação. A argumentação jurídica apresentada é de que os perfis estariam propagando desinformação contra a candidatura, sendo a medida de suspensão tratada pela campanha como uma ação que não configura censura.
Perguntas Frequentes
Quantos veículos assinaram o editorial em defesa da democracia?
O manifesto foi publicado conjuntamente por 55 veículos de jornalismo independente na quarta-feira (14).
Quais dados sobre violência contra jornalistas foram citados no texto?
O editorial menciona que a Fenaj registrou 1.442 casos de violência entre 2019 e 2022, enquanto a Abraji contabilizou 557 alertas de violações em 2022, com 41,6% envolvendo integrantes da família Bolsonaro.
Qual foi a manifestação da campanha de Flávio Bolsonaro sobre o tema?
A campanha não retornou aos contatos da reportagem sobre o editorial. Em evento no Rio de Janeiro, o candidato afirmou que garantirá a liberdade de imprensa e o direito a críticas ao governo se eleito, além de ter acionado o TSE para pedir a suspensão de postagens de opositores.


