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Senado aprova fim da escala 6×1 e repercute na imprensa mundial

Por Rafael Sampaio | Publicado em
fim da escala 6x1
Lula Marques/Agência Brasil.
📖 Leitura: 5 Min

A repercussão internacional em torno da aprovação do fim da escala 6×1 no Brasil ganhou destaque na imprensa de diversos países na quarta-feira (14), com análises que apontam a medida como um momento de forte articulação política às vésperas do segundo turno das eleições. Veículos de comunicação da Europa e das Américas voltaram suas lentes para o plenário brasileiro, onde os parlamentares avalizaram a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada máxima e institui novas regras de descanso remunerado.

Resumo rápido:

  • Senado aprovou o fim da escala 6×1 com 75 votos a favor e um contrário na quarta-feira (14).
  • Imprensa estrangeira destacou a votação como vitória política de Lula antes do segundo turno.
  • Mudança prevê redução de 44 para 40 horas semanais com transição total em 14 meses.

Repercussão internacional e o cenário eleitoral

A votação expressiva que garantiu 75 votos a favor e apenas um contrário no plenário do Senado ecoou rapidamente em redações estrangeiras. Na Espanha, o jornal *El País* apontou em suas páginas que “dezenas de milhões de trabalhadores conquistam um segundo dia livre no Brasil, uma vitória política para Lula”. A análise externa enfatizou o peso político da medida em um momento decisivo da disputa eleitoral pela Presidência da República.

Na Argentina, o diário *Clarín* classificou o desfecho no Congresso como uma “jogada política de Lula: Brasil aprova redução da jornada de trabalho, a menos de duas semanas do segundo turno das eleições”. No mesmo sentido, o *La Nacion* destacou a articulação como “a grande aposta de Lula antes do segundo turno”, mencionando também que “o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro mudou de posição e anunciou seu voto favorável 48 horas antes da sessão”.

Do outro lado do Atlântico, o jornal britânico *Financial Times*, especializado em economia, observou que os legisladores brasileiros “votaram para abolir uma semana de trabalho de seis dias na maior economia da América Latina”. O veículo pontuou que a alteração legislativa aproxima o país de nações desenvolvidas. Por sua vez, o *The Guardian* calculou que a mudança pode alcançar até 30 milhões de pessoas e recordou a origem do debate: “A proposta começou como um movimento do TikTok chamado Vida Além do Trabalho, fundado por um assistente de farmácia que entrou na política após seu sucesso e mais tarde foi abraçado por Lula”.

Cronograma de transição e novas regras para as empresas

O texto aprovado estabelece um período de transição detalhado para que o setor produtivo se adapte ao novo modelo de descanso e carga horária semanal. A implementação ocorrerá em etapas consecutivas após a promulgação da emenda constitucional.

Etapa da Transição Prazo após Promulgação Jornada Máxima Escala Obrigatória
Primeira Fase 60 dias Até 42 horas semanais Escala 5×2
Segunda Fase 14 meses (mais 12 meses) 40 horas semanais Escala 5×2

A proposta aprovada garante um descanso remunerado obrigatório de dois dias por semana, fixando a jornada máxima em formato 5×2, sem nenhuma redução salarial para os empregados. A transição total exigirá que, decorridos 60 dias da promulgação, as empresas adotem a escala 5×2 com limite de 42 horas semanais, alcançando o patamar definitivo de 40 horas após o prazo complementar de 12 meses.

Mudanças de posições e o voto divergente no plenário

A tramitação final foi marcada por reviravoltas na postura de lideranças políticas. O candidato Flávio Bolsonaro (PL), que disputa o segundo turno, manifestou-se inicialmente de maneira contrária à PEC, mas alterou seu posicionamento e votou favoravelmente pouco antes da sessão deliberativa. A Associated Press (AP) registrou que o único voto contrário à matéria partiu “do ex-vice-presidente Hamilton Mourão, que atuou durante o governo do presidente Jair Bolsonaro”. A agência norte-americana pontuou ainda que os aliados de Flávio Bolsonaro “deixaram de bloquear a medida popular para que ele não fosse prejudicado em sua disputa acirrada contra Lula”.

Em entrevista concedida à TV Jovem Pan, o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que, caso seu grupo político vença o pleito, a intenção é buscar a aprovação da PEC 12/2026, que defende um modelo de contrato baseado estritamente nas horas efetivamente trabalhadas.

Perguntas Frequentes

Como ficou o placar da votação no Senado?

O plenário do Senado concluiu a aprovação da PEC na noite de quarta (14) com 75 votos favoráveis e apenas um voto contrário, registrado pelo senador Hamilton Mourão.

Qual é o prazo total para a redução completa da jornada?

A transição total estipulada pelo texto compreende um período de 14 meses, dividindo-se entre uma etapa inicial de 60 dias para o limite de 42 horas e os 12 meses seguintes para atingir o teto de 40 horas semanais.

O salário dos trabalhadores será reduzido com a mudança?

Não. A matéria aprovada determina expressamente que a redução da carga horária e a adoção obrigatória do descanso de dois dias ocorrem sem nenhuma redução salarial.

Rafael Sampaio
Escrito por

Rafael, 41 anos, é um jornalista de Milagres apaixonado pela arte de escrever. Um eterno aprendiz dedicado a contar histórias com verdade, precisão e uma profunda conexão com o leitor.

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